04:18

Dormi desde as 00:10, nada mau.

Preparei os meus phones e hoje liguei o Spotify mas sem playlists. Vou deixar-me levar, porque a oferta é sempre simpática – Chopin, Schumann, Gluck ( a melodia de ” Orfeo e Eurídice ” é duma beleza incrível ) Rachmaninov, Saint-Saens, Liszt – benefícios ou ameaças do Spotify?

O que tem de bom ir à aventura no Spotify é a descoberta de autores como Philip Glass ( concerto para cordas nº 3 ) que o meu preconceito sempre rejeitou, por o considerar uma seca de compositor.

Já ganhei a noite.

Retomei ” O barulho das coisas ao cair ” de Juan Gabriel Vasquez, um dos meus autores sul-americanos favoritos. Depois de ” A forma das ruínas “, ” As reputações ” e ” Os informadores ” chegou a vez deste.

Uma visão da Colômbia paralisada pelo medo e pelo narcotráfico.

Omnipresentes estão sempre as preocupações com o nosso País, com o desgoverno e a degradação política e com a Ucrânia que tarda em ter à sua disposição material suficiente de autodefesa e para uma contraofensiva. Com o apoio velado da China à Rússia, a missão do Ocidente está difícil.

Mas a Rússia agressora vai ser derrotada.

Mas voltando ao livro.

Uma americana (Elaine Fritts ) de vinte anos, vai para a Colômbia em trabalho comunitário e recebe a notícia do massacre de Beverly Hills ( de que os jovens como eu certamente se lembram ). Foi um assassinato em massa perpetrado por uma seita liderada por um tal Charles Manson. Por entre as vítimas estava a atriz Sharon Tate, na altura grávida, o que mais horrorizou o mundo.

A Elaine que fora criada pelos avós, está ávida de notícias da América sobre o massacre, pois o assunto teve repercussão mundial, Colômbia incluída, escreve ao avô:

” Dá medo este mundo que nos calhou. Avô, tu viste coisas mais terríveis. Por favor, diz-me que o mundo sempre foi assim. ”

05:35. Vou aproveitar para dormir.

Até à próxima insónia.

Nuno Machado

 

 

4 comentários

  1. Se a Elaine acha que o mundo estava uma desgraça nessa altura, não sei o que poderá achar do mundo actual!
    Cada vez dá mais medo.

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