A propósito do Lítio

A Agência Portuguesa do Ambiente acaba de dar parecer favorável à ampliação das minas do Barroso, em Boticas, visando a exploração mineira e tratamento industrial do lítio

Esse parecer (DIA) é fundamental para que se viabilize a exploração.

O processo iniciou-se em Julho de 2020 e após parecer desfavorável em 2022, viu agora a luz do dia, embora com condicionantes – Trabalhos em horário diurno, ligação à A24, royalties para Boticas e desmatamentos a efetuar no período de Outono/Inverno.

Apesar disto, a primeira reação do Presidente da Câmara de Boticas e dos Ambientalistas foi de rejeição, de oposição total, de recurso aos tribunais, nacionais, europeus…

Boticas é um concelho simpático, mas que conta segundo o último census com 5000 habitantes, sendo que 10 anos antes tinha 5750 habitantes e, que eu saiba conta apenas como indústrias uma fábrica de cabos de amarração marítimos e as Águas de Carvalhelhos.

Quando se fala de desertificação do interior, de que o país é parco em recursos naturais, de que precisamos de desenvolvimento e de fixar as populações no interior, não estamos a falar de que necessitamos de projetos destes como de pão para a boca?

Nos últimos anos as intervenções ambientalistas condenaram explorações de petróleo, gás natural, lítio, ferro, para além de condicionarem fortemente / inviabilizarem soluções de aeroporto, traçados de vias de caminho de ferro.

Sendo conhecido o problema da água, sobretudo na zona do Algarve, há verba para ser investida numa dessalinizadora. Todos os municípios algarvios consideram que é urgente a sua instalação, porém, nenhum a quer instalada no seu concelho.

Será por isto que Júlio César dizia, segundo reza a história:

” Há nos confins da Ibéria, um povo que nem se governa nem se deixa governar “.

Obrigado.

Nuno Machado

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