A determinação e a capacidade de superação são atributos que cada vez mais admiro, mas que, infelizmente, não merecem a atenção geral.
A prémio Nobel da Medicina 2023, Katalin Karikó ( em conjunto com Drew Weissman ) e a ginasta Simone Biles, são dois exemplos notáveis.
A primeira, húngara de nascimento (1955), filha de um talhante, estudou bioquímica e RNA no seu país natal, até que a verba para programas de pesquisa acabou. Em 1985, decidiu mudar-se para os EUA com o seu marido e a filha e 1.200 USD escondidos num urso de peluche.
Aqui, começou por ser professora na Universidade de Templey em Filadélfia e, com problemas com a sua chefia, decidiu mudar-se para a Universidade da Pensilvânia.
Em 1990, foi-lhe diagnosticado cancro.
Mesmo na Universidade da Pensilvânia, a demora em apresentar resultados criou-lhe problemas na carreira.
Disseram-lhe que não tinha qualidade docente e, como investigadora, foi graças ao apoio de cientistas mais experientes que conseguiu dar continuidade às suas ideias.
Até que, quando se encontrava a tirar fotocópias, encontrou o seu colega Drew Weissman, também ele um estudioso do mRNA, tendo encetado uma colaboração virtuosa que culminou na adopção desta descoberta pela Pfizer e pela Moderna das vacinas contra a COVID e na atribuição do Nobel.
Graças ao seu trabalho, à sua perseverança e à sua resistência à adversidade, foi possível que, menos de um ano após o início da pandemia que matou quase 7 milhões de pessoas em todo o mundo, os reguladores autorizassem vacinas com um enorme grau de eficácia. Dado o pouco tempo decorrido, muitos duvidaram da sua eficácia. Mas, na verdade, grande parte do trabalho estava feito.
Já Simone Biles, terminou ontem nos mundiais de ginástica de Antuérpia mais uma brilhante prestação, que lhe valeu 4 medalhas de ouro e 1 de prata.
Esta americana, de 26 anos, teve uma infância problemática. Saltitou entre instituições de acolhimento, dada a incapacidade da sua mãe a sustentar bem como aos seus três irmãos. Até que aos 6 anos foi adoptada pelo seu avô materno e mulher ( a quem trata por pai e mãe ). Aí encontrou estabilidade e, adepta fervorosa do treino e com atributos técnicos invulgares, construíu um percurso internacional que teve o seu início há precisamente 10 anos. Quando abandonou os últimos Jogos Olímpicos ( Toquio ), para lidar com a sua saúde mental, escusado será dizer que não faltaram críticos que aí viram debilidade e fraqueza e prognosticaram o fim da sua carreira
Simone Biles acabou de lhes dar a resposta.
Com a prestação destes campeonatos, passou a ser a ginasta mais medalhada da história – 30 medalhas mundiais e 7 olímpicas.
Porque será que histórias de sucesso como estas não são muito mediáticas?
Nuno Machado
9/10/2023
Pessoas comuns e rotineiras vivem mal com o sucesso dos outros.
Nem mais!
Não conhecia estas histórias. Tenho verdadeira admiração por quem tem um percurso de vida feito de superações de condicionantes que, para outros, seriam inultrapassáveis.
Será necessária paixão… Toda a paixão exige entrega…
Agora porque é que não são exaltados….Não são trágicos ,não são aberrantes e nem são ridículos…Não vendem…
Obrigado Teresa.
É isso mesmo que sinto.
Lamento que estes exemplos não tenham a divulgação que merecem, até porque ajudariam muita gente.