Espanha

Apesar de me desiludir constantemente com os disparates que se fazem no nosso país, continuo a sentir-me português.
Porém, quando estou em Espanha, não posso deixar de pensar que com mais organização, iniciativa, audácia e, talvez, outra forma de zelar pelo interesse público poderíamos e deveríamos aprender alguma coisa.
A Espanha, um Estado mais jovem que Portugal, tem um património monumental nalguns casos mais que milenar, que é alvo de manutenção e reabilitação permanentes, que, por si só, a transforma num destino cultural significativo, com as colossais receitas que daí resultam.
Madrid, Barcelona, Sevilha, Valência, San Sebastian, Granada, Córdoba, são verdadeiros tesouros, mas cidades mais pequenas como Salamanca, Ávila, Segóvia, Cuenca, Toledo, Vitória, Bilbao, Coruña, Pontevedra, Santiago de Compostela, Cáceres, Trujillo, etc., contribuem para uma distribuição geográfica muito equilibrada dum turismo cada vez mais pujante, hoje em dia enriquecida com uma rede ferroviária vasta e moderna, ingredientes poderosos de desenvolvimento económico,

Na minha última curta estadia em Espanha, tive a ocasião de conhecer Ávila, uma verdadeira pérola medieval a dois passos de Madrid. A catedral, primeiro exemplar do gótico espanhol é duma beleza esmagadora e nela estão sepultados altos dignitários da Igreja e D. Adolfo Suárez, um dos grandes obreiros da transição democrática e sua mulher.

Se tiverem oportunidade de visitar Ávila, aconselho vivamente o Hotel Valderrabanos, um Palácio do século XIV mandado edificar pelo Bispo local para sua residência pessoal e que dista menos de 50 metros da catedral.

A isto gostaria de juntar a minha simpatia pela forma de viver espanhola, desde as praças que existem em quase todas as localidades com alguma dimensão, que fomentam e estimulam o convívio entre as pessoas, à forma como é quase obrigatório beber um copo depois do trabalho, antes do regresso a casa e à ” fúria espanhola “, a garra posta ao serviço do querer e da determinação. 

É evidente que também há problemas de corrupção ( basta pensar no Rei Juan Carlos, a infanta Cristina  e o seu marido , Gil Y Gil e políticos diversos como, entre outros,  o ex-vice-presidente do Governo (e ex-presidente do FMI) Rodrigo Rato, o ex-vice-presidente do Governo Narcis Serra, os ex-ministros Magdalena Alvarez (PSOE) e Angel Acebes (PP).  

Apesar das diatribes do Rei Juan Carlos – protegido ao longo de décadas por um verdadeiro pacto de silêncio da comunicação social – a intervenção dos tribunais, vai combatendo o flagelo da corrupção, essencial para assegurar a unidade do Estado espanhol.


Espero voltar a este tema ” Espanha ” para vos maçar com as minhas preferências na literatura e na música.
Obrigado.

Nuno Machado

6 comentários

  1. Olá Nuno!
    Eu sou suspeito porque tenho costela espanhola (ou várias) pois sou neto de Avó Sevillhana…
    Mesmo que as costelas fossem todas Lusitanas, não podia estar mais de acordo…
    Independentemente da padeira, que podia ter continuado só a fazer pão, a grande diferença, quanto a mim, é o facto de Eles continuarem a matar o touro na Arena e nós querendo estar bem com Deus e com o , enfim, somos assim …
    Um abraço

    1. Obrigado Pedro.
      Vejo-me obrigado em próximas edições em contrariar esta nossa sina.
      Fica a promessa e, como não sou político, vou cumprir.
      Grande abraço
      Nuno

  2. Também eu. face à “mobida”dos vizinhos. senti a nossa triste costela pequeno burguesa, filha de uma persistente ruralidade. apadrinhada pela Igreja e acólitos no poder.
    Parece ser na tristeza, no desencontro e no desengano que nos afirmamos.
    Para a alegria. parimos o Brasil…

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