Não nos resignemos

Desde que me conheço que ouço a história de que Portugal é um País pobre.

Tivemos um Império de que a terra-mãe pouco beneficiou, as colónias tornaram-se independentes e então, ai Jesus, que vai ser de nós?

Passaram-se cinquenta anos e a conversa do País pobre mantém-se.

Somos reconhecidamente mal governados, mas no meio da bandalheira é possível vislumbrar alguns sinais de ânimo.

Desde a afirmação de empresas tecnológicas às energias renováveis, da exploração de recursos naturais ( ferro, cobre e um dia lítio ) à cada vez mais forte indústria metalomecânica, da indústria automóvel à das bicicletas, do turismo à construção e à agricultura, da indústria do papel e da pasta de papel à agroalimentar são exemplos de que há um País que funciona, que cresce e se desenvolve, apesar dos governos.

Agora, para mim está por explicar que não consideremos o Mar, não só uma imensa fonte de riqueza como um verdadeiro desígnio nacional.

Sei que durante muitos anos a nossa tacanhez e preconceito, tinha algum receio de falar do Mar, considerada coisa do passado, dada a sua ligação aos descobrimentos e ao Estado Novo.

Nada mais errado, o Mar não é passado, mas sim FUTURO!

Com 2.500 Km de linha de costa, o Mar era em 2018 responsável por 5,1% do PIB, 5% das exportações e 4% do emprego, isto apesar da destruição de grande parte da nossa frota pesqueira.

Em 2009, Portugal apresentou à Comissão de Limites da Plataforma Continental (CLPC) da ONU, uma proposta reivindicativa para a delimitação da plataforma continental para além das 200 milhas da Zona Económica Exclusiva, que, a ser aceite passará a ser de 4.100.000 Km2.

Em 2017 (passados pois 8 anos ) foi criada uma Subcomissão específica para analisar a nossa proposta e emitir recomendações. A Comissão é composta por 7 membros da CLPC que não podem ser portugueses nem membros de países cujos interesses possam colidir com Portugal e o timing para apreciação da proposta e emissão de relatório era o final de 2021… As derrapagens tocam-nos sempre.

Esta área tem enorme interesse geológico e biológico e nela será possível encontrar cobalto, sulfuretos polimetálicos (ricos em ferro, cobre e zinco) podendo existir também depósitos subaquáticos de petróleo e gás natural. Nos recursos vivos há esponjas, corais, moluscos crustáceos, etc.

Espanta-me que um tema de tamanha importância não esteja na ordem do dia, como me espanta a total ineficácia da nossa diplomacia e mesmo da circunstância de Guterres sendo  Secretário-Geral da ONU, não conseguisse dar um empurrãozinho.

Até lá, não baixemos os braços, não nos resignemos!

Nuno Machado

 

 

4 comentários

  1. Tocaste aí num dos bloqueios atuais, porventura dos mais inexplicáveis: os ambientalistas. Foram eles que iniciaram um movimento popular que levou ao bloqueio das exploração off-shore de gás natural e petróleo, na costa alentejana e algarvia, mesmo de os boc. Com uma iniciativa semelhante, estão a atacar a possibilidade de explorar os depósitos de lítio em Trás-os-Montes. São eles que, montados nas CCDR, frustram intenções sérias de investimento turístico na Costa Alentejana. São verdadeiros criminosos lesa-pátria, cujo única atividade que verem ver no país é turismo eco-tretas. Quanto à extensão da plataforma continental, nada contra, mas se não conseguimos explorar o enorme potencial que já temos, para quê ter mais? Que nem vamos conseguir fiscalizar, com os nossos pobres meios da Marinha e da Força Aérea …
    Enfim …
    Não nos resignemos, claro, mas não nos iludamos também.
    Abraço

    1. Quanto aos ambientalistas não posso estar mais de acordo. Bloqueios ” legais ” ao influenciarem limitações às explorações, mas também ilegais – miúdos a ocuparem escolas, faculdades e o terminal de Sines, a ” exigirem ” o fim dos combustíveis fósseis até 2025, 2030. Perante a passividade total. Nada me admira quando vi, na semana passada, os ditos ambientalistas a invadir a Assembleia Geral da Shell com o mesmo discurso.
      Quanto ao lítio penso que algo irá acontecer, sobretudo depois da entrada da GALP no processo.
      Quanto à plataforma, a exploração será certamente feita por concessões. Do mal o menos.
      Abraço

  2. Também me espanta essa ineficácia e a falta do “empurrãozinho” de quem o pode dar! Será por medo de se comprometerem? Enfim!!!

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