O meu Avô

Faz hoje 36 anos que faleceu o meu Avô Arnaldo.

Tenho testemunhado muitas vezes em privado que foi para mim uma verdadeira referência.

No reconhecimento genuíno das suas inúmeras qualidades, ao pé das quais, pequenas manias só nos fazem sorrir, presto-lhe homenagem.

Dele recebi valores como a verticalidade, a lealdade e o amor ao trabalho.

Com ele aprendi a amar a liberdade e a democracia. Nunca esquecerei o entusiasmo dos seus relatos com figuras de resistentes da nossa praça, da avidez com que devorou o ” Portugal amordaçado ”   e da sua alegria quando num 5 de Outubro chegou a casa e me disse, de lágrimas nos olhos, que tivera um dos dias mais felizes da sua vida, porque tinha tido a honra de cumprimentar Mário Soares numa cerimónia no Teatro S. Luís.

Muitos anos mais tarde, numa Assembleia Geral das Fundações, estando perto do Dr. Mário Soares, não resisti a contar-lhe este episódio, o que ele agradeceu.

Os longos momentos que passámos juntos , sobretudo em grandes maratonas de Krapô, e onde tanto aprendi sobre a vida e a época – anos 60/70 – são para mim uma grande memória viva.

Obrigado Avô, um grande abraço.

Até sempre

Nuno ( neste caso Ninocas como ele gostava de me tratar )

 

 

11 comentários

  1. Obrigada mano. Aprendemos muito com ele. Quase todos dias me lembro de alguma coisa que me ensinou, e foram muitas. Saudades

  2. Bem lembrado, este dia 27 de Junho de 1987. Todos nós temos comportamentos herdados do Avô Arnaldo. E eu que o diga, que me sentava à sua direita, nas horas das refeições, com os pormenores de etiqueta, que ainda hoje os utilizo, com orgulho, por quem teve a sublime atitude de me criar. Nunca esquecendo a Avó. Tão pouco a vossa querida Mãe. Obrigado, Nuno, por eu pertencer à família Flor.

      1. Pois foi….. era o sequência lógica e obrigatória (kkkkkk).
        Mas o rol de boas-práticas, é vasto, e, em muitos casos, continuo a cumprir, religiosamente, essas mesmas práticas. Foram hábitos adquiridos. Um abraço, com votos de boa saúde, para ti e toda a tua rapaziada.

  3. SR. Nuno Machado, realmente as nossas ref de infância, e neste caso dos avós, são uma riqueza para a nossa alma. Também eu tenho a minha Avó Rosa como referência e ainda hoje recordo e percorro as nossas conversas que pareciam tão simples e tanto em mim ficaram. Obrigada

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