Desde miúdo que gosto de ler.
Comecei pela banda desenhada ( Condor Popular, Ciclone, Falcão, Tintin, etc. ), passando na adolescência pela Enid Blyton e os Livros dos cinco e, posteriormente, por biografias de figuras da história.
A política e temas sociais estavam em conformidade com a época – interditos.
Recordo que, nos meus 15/16 anos fui a casa do Augusto M. Seabra, colega de turma no Liceu de S. João, e deparei com corredores repletos de obras de Marx, Engels, Lenine ou Mao, algo que me deixou estupefacto.
Confirmando a minha condição de beto/naif, em 1973, aquando duma viagem a Paris na companhia do meu amigo João Luís Sobreiro, visitámos um casal de jovens refugiados seus amigos que, na primeira refeição conjunta ( no chão, que não havia cá lugar a mesa de refeição ), fomos bombardeados sobre as nossas posições face ao revisionismo soviético, ao diferendo sino-soviético e outras do mesmo jaez , pelo que não houve alternativa que não a de confessarmos humildemente a nossa ignorância.
Depois do 25 de Abril, foi a explosão de literatura político-social, muita história e alguma filosofia.
Mas também muitos romances. Não leio sobre tecnologia ou ficção científica porque não me atraem.
Apesar de me considerar emotivo ao ponto de por vezes me comover, leio pouca poesia. Será porque sou muito terra a terra ? Na procura de um equilíbrio entre a razão e o sentimento, o que adoro mesmo é a prosa.
Do que tenho lido, não consigo eleger um autor ou uma obra como a melhor.
A nossa avaliação é sempre condicionada pelo nosso estado de espírito, humor, tranquilidade, disponibilidade de tempo, etc.
Agora confesso a minha profunda simpatia pela literatura de língua espanhola, pelo que vos deixo as minhas preferências:
- Gonzalo Torrente Ballester – Os prazeres e as sombras ( trilogia);
- Mário Vargas Llosa – A festa do chibo;
- Gabriel Garcia Márquez – Cem anos de solidão;
- Eduardo Mendoza – A cidade dos prodígios;
- Javier Cercas – Soldados de Salamina;
- Fernando Aramburu – Pátria ( também com adaptação ao cinema, vd HBO );
- Juan Gabriel Vasquez – O barulho das coisas ao cair
Com o avançar dos anos, quando a mente por vezes não retem as palavras, começo a ficar perante um dilema. O que vou ler nos próximos anos? Perante uma lista interminável, como priorizá-las? E, para complicar um pouco, juntemos os que gostaria de reler. O que e como fazer?
Cascais, 26 de Julho de 2024
Nuno Machado