O Serviço Nacional de Saúde britânico e o envelhecimento

O Serviço Nacional de Saúde britânico ( NHS ) faz este mês 75 anos.

Fundado no rescaldo da 2ª Grande Guerra Mundial, visto por muitos como uma referência em toda a Europa, está atualmente à beira do colapso.

Pacientes idosos, falta de investimento, falta de recursos humanos, designadamente médicos e enfermeiras ( muitos em greve ou de saída para o exterior ), são das principais razões apontadas para esta situação.

Em 2022, o número de mortes em excesso atingiu máximos de 50 anos. 7,4 milhões de pessoas aguardavam procedimentos médicos, de próteses na anca a cirurgias do foro oncológico. Antes da pandemia esse número era de 4,1 milhões.

Os gastos com a saúde aumentaram em média menos de 2% de 2010 a 2019 comparados com 5,1% de 1998 a 2008.

Esta situação é-nos – infelizmente – familiar.

Mas gostaríamos de nos focar na questão do envelhecimento e das mudanças demográficas.

Durante décadas, o Ocidente desenvolvido e industrializado beneficiou por grande parte da sua população se situar em idade produtiva, contribuindo para impulsionar o crescimento económico.

Nos anos 90, na Europa, países como a França, a Itália, a Suécia ou a Finlândia, já eram os países onde a força de trabalho se revelava mais envelhecida. O Japão era em todo o mundo, o país onde este fenómeno se manifestava com maior intensidade.

Já neste século, em 2013, um quarto da população japonesa tinha mais de 65 anos.

As transformações a que estamos a assistir, conduzirão o mundo ocidental e a Europa em particular a recordes de envelhecimento. Seguir-se-ão a Coreia do Sul e a China.

Ao invés, o mundo subdesenvolvido/em vias de desenvolvimento, terá significativa força de trabalho em idade ativa. Será isto uma oportunidade?

Projeções das Nações Unidas, apontam para que em 2050, as pessoas com mais de 65 anos representarão 40% da população na Europa e em países do E/SE asiático, como o Japão, a Coreia do Sul ou a Tailândia.

Isto é, um número cada vez maior de pensionistas dependerá de um cada vez menor número de ativos.

As inexoráveis consequências desta realidade são que os regimes de pensões, idade de reforma e políticas de imigração terão de ser revistas tendo em vista a sua sustentabilidade.

Os países ricos de hoje, representarão cada vez menos no PIB global, enquanto que S/SE asiático, África e eventualmente médio Oriente terão mais oportunidades de crescimento.

Está na altura de deixar de meter a cabeça debaixo da areia.

Começar a falar verdade pode ajudar.

21/07/2023

Nuno Machado

4 comentários

  1. A grande verdade, tão grande que não se vê está na nonstruosidade das duas soluções endémicas a germinarem.
    1/ que o País nao é para velhos e que essa maioria numérica é antidemocrática e nao pode ser aceite que dite a sua proteção / sobrevivência
    2/ que a minoria mais jovem reclame e exerça uma ditadura de soluções a seu favor
    3/ o embate/ revolução vai ser terrível com desvalorização da vida humana a partir da idade em que deixe de ser sustentavelmente , política, social e economicamente, e que comece a perder direitos: de voto, de assistência social, e de rendimentos…

  2. Nada permanece a não ser a mudança. Hesíodo,sec V A.C

    A decadência é inevitável. O excesso populacional mundial é (numa perspetiva planetária e não humanista) nefasto e”desequilibrante”para o bom funcionamento do Mundo.
    A incapacidade do Homem de se pensar como parte do Todo,o cultivo das nacionalidades no seu aspecto mais mesquinho, o desequilíbrio entre desenvolvimento técnico e consciência ética são alguns dos factores que irão,certamente,programar as próximas Dark Ages.
    We are very sorry…

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *