Os que se salvaram da besta nazi

O que ando a ler: Primo Levi – Os que sucumbem e os que se salvam.

Na sequência de ” Se isto é um homem ” e a ” Trégua “, traz-nos uma profunda reflexão sobre a memória de Auschwitz que parece estar a desaparecer e aos historiadores que ao negarem o holocausto nazi querem reescrever a história.

A dado passo, lança a dúvida. O que foi a Alemanha nazi? O desenvolvimento racional de um plano desumano ou a manifestação de loucura coletiva? Não há um paralelo com a Rússia de hoje? No seu entender, as duas alternativas coexistiam. O racional era a expansão a oriente ( velho sonho alemão ), sufocar o movimento operário, a hegemonia sobre o continente europeu, aniquilar o bolchevismo e o judaísmo, repartição do poder mundial, apoteose da raça germânica com eliminação dos doentes mentais e das bocas inúteis. Tudo isto exposto no Mein Kampf – arrogância e radicalismo, lógica insolente e não loucura.

Viktor E. Frankl – ” O homem em busca de um sentido “, relato. impressionante dum psicoterapeuta e da sua condição em Auschwitz. A evocação constante da imagem da sua mulher, que estava grávida, logrou mantê-lo vivo. No fim da guerra, a mulher, os pais e o irmão tinham sido mortos e ele, divulgou por todo o mundo a Logoterapia – método que desenvolveu enquanto internado no campo de concentração e que, de forma simplista, explica como os sobreviventes o conseguiam graças à criação de um objetivo – encontrar um futuro para a sua própria existência – método que não se cansou de divulgar por todo o mundo até à sua morte aos 92 anos.

Para suavizar estas leituras, hoje o Spotify ajudou com música portuguesa – Jorge Palma, Rodrigo Leão, Mário Laginha e Carlos Paredes.

Está na hora de procurar dormir um pouco mais.

Tenham um bom dia!

Nuno Machado

12 comentários

  1. Obrigado, Nuno, aproveitarei para ler “Primo Levi” uma vez que aguçou a minha curiosidade, não durante insónias de que não padeço, mas no pouco tempo livre.
    Em tempos li bastante sobre tudo o que se passou nessa época terrível, mas há sempre qualquer testemunho novo.
    Um abraço e continua …

  2. Obrigado Nuno
    Eu ainda ‘perco’ tempo a ler e a pensar… Imagina tu .
    Também para mim, Se isto é um homem, é o melhor e de leitura recorrente…
    Grande abraço

  3. A verdadeira pergunta, subjetiva ao “questionário formulado no texto, é – Que espécie é esta, a nossa ,que contem germes de uma supra bestialidade no seu ADN ‘
    Será uma uma determinação biológica ?É necessária à Espécie para esta sobreviver?

    1. Olá Teresa,
      Tudo bem?
      Desculpa só agora responder, mas estive fora.
      Receio bem que a aptidão para o horror esteja mesmo inscrita no nosso ADN.
      A crueldade não tem limites. Somos sempre capazes de assistir ao pior, pior, pior…
      Haja lucidez e capacidade de resistir.
      Bj

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