Muito se tem falado sobre a eficácia das sanções que o Ocidente impôs à Rússia em resposta à invasão da Ucrânia.
As informações são desencontradas e difíceis de escrutinar.
Para os russos, ” não se passa nada “, a economia resiste, o rublo depois de quedas colossais no pós invasão (mínimos face ao dólar em Março de 2022, recuperou para máximos em Julho de 2022 e daí para cá vem sempre a cair ), as sanções são consideradas ineficazes.
Não sendo possível uma verificação independente, podemos no entanto constatar que o esforço que o Ocidente e em particular a Europa fizeram na poupança e na diversificação de fornecimento de energia, conduziu a que a cotação do gás natural tivesse uma queda colossal. De igual forma, quanto à eletricidade mas aqui de forma menos acentuada. Foram dois contributos importantes para o enfraquecimento da alimentação da máquina de guerra russa.
A inflação, cujas origens são até anteriores à invasão, disparou em 2022, mas tem vindo a diminuir progressivamente, se bem que com enormes sacrifícios para as populações, fruto sobretudo do aumento das taxas de juro.
Mas, voltando às sanções, algo permanece por esclarecer.
Antes da agressão à Ucrânia, cerca de 1600 empresas ocidentais desenvolviam os seus negócios na Rússia. No pós invasão, 75% já saíram da Rússia, pelo que lá devem continuar cerca de 400. Nestas incluem-se a Auchan, a Heineken, a Carlsberg, a Philip Morris e a Pfizer ( que vende uma gama limitada de produtos ).
A reflexão que importa fazer é:
População – EUA + UE + Japão + Coreia do Sul = 1.000 milhões de pessoas ( apx.)
Rússia – 146 milhões
Assim, a UE tem 3,38 * a população da Rússia, os EUA 2,26 * e o conjunto dos países acima citados 7,03*.
Mas vejamos a comparação no que concerne aos PIBS das maiores economias:
| # | Ranking de países (PIB 2021) | PIB 2021E (Biliões USD) | PIB 2020 (Biliões USD) |
| 1 | Estados Unidos | 22,9 | 20,9 (#1) |
| 2 | República Popular da China | 16,9 | 14,9 (#2) |
| 3 | Japão | 5,1 | 5,0 (#3) |
| 4 | Alemanha | 4,2 | 3,8 (#4) |
| 5 | Reino Unido | 3,1 | 2,70 (#5) |
| 6 | Índia | 2,95 | 2,67 (#6) |
| 7 | França | 2,94 | 2,6 (#7) |
| 8 | Itália | 2,1 | 1,9 (#8) |
| 9 | Canadá | 2,0 | 1,64 (#9) |
| 10 | República da Coreia | 1,8 | 1,638 (#10) |
| 11 | Federação Russa | 1,65 | 1,5 (#11) |
| 12 | Brasil | 1,65 | 1,44 (#12) |
| 13 | Austrália | 1,61 | 1,36 (#13) |
| 14 | Espanha | 1,4 | 1,3 (#14) |
| 15 | México | 1,3 | 1,07 (#15) |
Os números falam por si.
Então o que aconteceria se os consumidores dos países ocidentais organizassem uma campanha, civilizada mas objetiva, de boicote às marcas que ainda operam na Rússia?
Certamente que então, face aos pressupostos acima enunciados, as marcas seriam ” convidadas ” a abandonar a todo o vapor a economia russa. Não hesitariam na escolha entre dois mercados com pesos tão diferentes.
Por mim, pelo menos Auchan, Heineken e Carlsberg deixarão de me ter como cliente.
A nossa liberdade e uma futura paz, agradeceriam.
Nuno Machado
3 Agosto de 2023
Caro Nuno,
Obrigado pela tua INSÓNIA e não posso estar mais de acordo.
Uma pergunta:
Sem identificação, será que posso
enviar este teu texto, para dois antigos colegas que ainda são dos que estão ‘ACORDADOS’?
Grande abraço.
Caro Pedro,
À tua vontade.
Ainda ” sou do tempo “, que os amigos dos meus amigos, meus amigos são!
Se quiseres que eu os inclua na minha maillist diz.
Já agora, podes-me mandar o email da Lena. Sempre a posso chatear também!
Obrigado.
Grande abraço
Grandes dados. Obrigado,
Ld
Obrigado Luís.
Grande abraço